Wednesday, February 15th, 2012 | Author:

Além de ler histórias, os pais podem inventar algumas com base nas ilustrações do livro e de acontecimentos do cotidiano do filho. Eles adoram ouvir seu dia-a-dia narrado em tom» de fantasia, é necessário que os pais também respeitem o gosto das crianças pela repetição. “Os pequenos são capazes de ouvir dezenas de vezes a mesma história, e isso faz parte do desenvolvimento”, explica Maria Lúcia. “A cada etapa da narrativa decorada, a criança se sente com o controle daquela situação,” Nada mais reconfortante. Não existem fórmulas nem regras cientificamente comprovadas quando o assunto é gostar de ler, mas Ruth Rocha tem uma frase sábia que cabe perfeitamente nesse caso: “A maneira efetiva é a afetiva”. CLÁSSICOS PARA SEMPRE A partir dos 4 anos, é preciso levar em conta os interesses dos pequenos. Alguns adoram dinossauros, outros gostam dos seres do mar, outros preferem os carros. As possibilidades são bem variadas e escolher já é uma forma de aprendizado. Os adultos precisam dar uma lida no volume escolhido antes de passar no caixa. É preciso se certificar de que a narrativa está bem construída, se a tradução é boa e se a mensagem está de acordo. Dentre a vasta gama oferecida nas livrarias, convém não esquecer os clássicos da literatura infantil – contos de fadas e fábulas que têm lugar na estante (e na atenção) de crianças entre 2 anos e meio e 3. São perfeitos para ser lidos pelos pais antes da alfa-betizacão da criança. Alguns pais relutam em adotar os contos de fadas para os seus filhos. Afinal, antes do “felizes para sempre” os protagonistas passam por situações trágicas e assustadoras. A Branca de Neve é envenenada, a avó de Chapeuzinho Vermelho é engolida pelo Lobo Mau, a Cinderela é tratada como escrava pela madrasta. Os exemplos são muitos e arrepiantes se vistos sem a capa da fantasia. Então, por que narrativas assim continuam fascinando as crianças? A professora Maria Lúcia Pi-mentel explica que elas podem ser analisadas sob a óptica da psicanálise. “Os contos de fadas fazem a transfiguração fantasiosa de males concretos”, diz. “A criança gosta de sentir medo na ficção, pois ali ela tem o controle da situação: ela pode fechar o livro ou pedir para os pais pararem de ler” Para a escritora Ruth Rocha, o mérito dos contos de fadas está na identificação que a criança tem com o personagem central. “Eles são semelhantes, pois são pequenos e indefesos; mas mesmo assim conseguem superar os perigos”, explica. As crianças também aprendem a lidar com as perdas por meio desses contos, A escritora só faz uma ressalva: as histórias em que há a figura da madrasta. A configuração das famílias mudou e a madrasta está presente na vida de muitas crianças. Nas historinhas, elas não são más por acaso, já que representariam o lado da mãe, são a antítese da doçura: a mãe quando brava ou mais humanizada. A pedagoga Renata Mundt também acredita que narrativas mais tristes são necessárias. Ela conta que existe hoje na literatura infantil uma tendência à abordagem de temas como morte e separação, assuntos doloridos, mas reais. “Nem tudo termina com a frase e viveram felizes para sempre'” ela diz. Mas, com um livro, a vida sempre pode ficar muito mais interessante.

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